CID 6a05: o que significa receber este diagnóstico?

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CID 6A05: entenda o que significa receber o diagnóstico de TDAH, seus impactos na vida diária e como buscar apoio para melhorar sua qualidade de vida.

CID 6a05: o que significa receber este diagnóstico?

Na CID-11, o código 6a05 corresponde ao Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). O documento organiza a descrição desse transtorno em seções estruturadas, que servem como referência clínica e de classificação. As principais seções encontradas são:

  1. Definição
    • Descreve o TDAH como um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que se manifesta na infância, afetando funcionamento acadêmico, ocupacional e social.
    • Ressalta que os sintomas devem estar presentes em dois ou mais contextos (ex.: casa, escola, trabalho).
  2. Critérios diagnósticos principais
    • Sintomas nucleares: desatenção, hiperatividade e impulsividade.
    • Persistência no tempo (pelo menos 6 meses).
    • Início precoce, geralmente antes dos 12 anos.
    • Impacto funcional significativo.
  3. Apresentações clínicas (subtipos)
    • Predominantemente desatento.
    • Predominantemente hiperativo/impulsivo.
    • Combinado.
  4. Inclusões
    • Abrange termos relacionados como: “distúrbio de déficit de atenção”, “síndrome hipercinética” (em versões anteriores).
  5. Exclusões
    • Diferencia TDAH de: transtornos de ansiedade, depressão, dificuldades específicas de aprendizagem, transtorno do espectro do autismo, entre outros.
  6. Notas de codificação
    • Indica que o TDAH pertence ao capítulo Transtornos do Neurodesenvolvimento.
    • Possibilidade de uso de códigos de extensão para especificar gravidade, curso e contexto.

1. Definição do TDAH na CID-11

O TDAH, segundo a CID-11, é definido como um transtorno do neurodesenvolvimento marcado por dificuldades persistentes de atenção e/ou comportamentos de hiperatividade e impulsividade.

Em outras palavras, não é apenas “ser agitado” ou “ter preguiça de prestar atenção”, mas sim um conjunto de sintomas que aparecem ainda na infância e atrapalham a vida da pessoa em diferentes lugares, como na escola, em casa ou no trabalho.

Portanto, de acordo com a classificação oficial da Organização Mundial da Saúde, trata-se de uma condição real e reconhecida, que merece atenção e tratamento adequados.

Muitas vezes, escutamos alguém dizer “essa criança não para quieta, deve ter TDAH“. Mas a ciência mostra que não basta ser inquieto: é necessário que os sintomas estejam presentes em mais de um ambiente (por exemplo, escola e casa) e que causem dificuldades concretas no dia a dia.

É exatamente isso que a CID-11 coloca como base: um transtorno que impacta a vida da pessoa, não apenas um traço de comportamento.

Essa justificativa ajuda a diferenciar o TDAH de simples características pessoais, como ser mais enérgico ou distraído em momentos específicos.

Você sabia:

  • O TDAH atinge cerca de 5% das crianças no mundo.
  • Em muitos casos, ele continua na vida adulta, embora os sintomas mudem de forma.
  • Nem toda criança agitada tem TDAH, e nem todo adulto distraído é preguiçoso.
  • A CID-11 substituiu o termo “síndrome hipercinética”, que aparecia em versões anteriores, pelo nome atual.

A lógica para chegar a essa definição é simples: a Organização Mundial da Saúde reuniu anos de estudos e observações clínicas que mostram padrões repetidos de comportamento.

Se várias pesquisas em diferentes países apontam os mesmos sinais, então faz sentido criar uma categoria única para isso.

Assim, profissionais de saúde do mundo inteiro usam a mesma linguagem médica para identificar e tratar o problema. É como se fosse um dicionário oficial das doenças: todo mundo fala a mesma língua e não há confusão.


2. Critérios diagnósticos principais

Para diagnosticar o TDAH, a CID-11 coloca uma régua bem clara: é preciso ter sintomas de desatenção, hiperatividade e/ou impulsividade que durem pelo menos seis meses, começando lá na infância, geralmente antes dos 12 anos.

O diagnóstico também exige que esses sinais apareçam em dois ou mais lugares, como em casa e na escola, ou no trabalho e na vida social.

Esse cuidado existe para evitar confusões. Imagine que um aluno se distrai muito em matemática, mas vai super bem em artes e nunca dá trabalho em casa. Isso não é TDAH, é simplesmente afinidade com matérias diferentes.

A ideia é separar o que é comportamento passageiro do que é transtorno persistente. Afinal, quem nunca ficou “no mundo da lua” depois de uma noite mal dormida? Mas se isso acontece todo dia, por meses, aí já é outra história.

Tabela dos critérios principais da CID-11:

SintomaRequisito
DesatençãoDificuldade frequente de manter o foco por pelo menos 6 meses
HiperatividadeAtividade motora excessiva, fora do esperado para a idade
ImpulsividadeAções sem pensar, dificuldade em esperar a vez
Início precoceAntes dos 12 anos e presente em múltiplos contextos

Estudos mostraram que crianças e adultos com TDAH compartilham esse conjunto de sinais.

Ao definir o tempo (mínimo 6 meses), o início precoce e o impacto em vários contextos, a CID-11 evita diagnósticos apressados.


3. Apresentações clínicas (subtipos)

O TDAH não tem “cara única”. Ele se apresenta de três jeitos diferentes: um tipo mais desatento, um mais hiperativo/impulsivo e outro que mistura os dois.

Então, não pense que todo mundo com TDAH é igual ao estereótipo do menino que não para quieto na sala de aula.

Na prática, existem pessoas que quase não parecem agitadas, mas vivem perdendo o foco em tarefas simples.

  • Quem é do tipo desatento, por exemplo, pode ser confundido com preguiçoso ou desligado;
  • Já quem é do tipo hiperativo/impulsivo pode ser chamado de malcriado ou incontrolável.

A CID-11 mostra que não é nada disso: são variações do mesmo transtorno. E o tipo combinado, que junta as duas características, costuma ser o mais evidente.

Você sabia:

  • O tipo desatento aparece mais em meninas, o que faz com que muitas sejam diagnosticadas só na adolescência.
  • O tipo hiperativo/impulsivo é o mais percebido na infância, porque chama a atenção dos professores.
  • O tipo combinado é o mais comum, especialmente em meninos.
  • Em adultos, a hiperatividade muitas vezes dá lugar a uma sensação interna de inquietação, em vez de correrias ou agitação física.

O TDAH se expressa de formas diferentes, mas com a mesma raiz. A CID-11 quis dar nome a essas apresentações para que os profissionais não deixem ninguém de fora.

Assim, fica mais fácil explicar para os pais, para os pacientes e até para os professores que TDAH não é um só modelo, mas um guarda-chuva com vários formatos.


4. Inclusões e exclusões

Na CID-11, existem duas listas que são como “avisos importantes”: o que está incluído e o que deve ser excluído no diagnóstico de TDAH.

Incluídos estão termos que antes eram usados como sinônimos, como “distúrbio de déficit de atenção” ou a antiga “síndrome hipercinética”. Todos agora caem dentro do mesmo guarda-chuva do TDAH (6a05).

Por outro lado, a exclusão é essencial para não confundir as coisas. Crianças ansiosas, por exemplo, parecem distraídas porque estão preocupadas. Alguém com depressão tem dificuldade de concentração, mas isso não significa TDAH.

Da mesma forma, dificuldades específicas de aprendizagem, transtornos do espectro autista ou até problemas de sono geram sintomas parecidos. A CID-11 deixa claro: só é TDAH se os sinais não forem melhor explicados por outro transtorno.

Tabela de inclusões e exclusões:

InclusõesExclusões
Distúrbio de déficit de atençãoAnsiedade
Síndrome hipercinéticaDepressão
TDAHTranstorno do espectro autista
Termos antigos equivalentesDificuldades específicas de aprendizagem

A lógica aqui é de filtro:

  1. Primeiro se identifica se os sintomas combinam com TDAH;
  2. Depois, checa-se se não há outra explicação mais convincente.

É como investigar um mistério: parece que a resposta é uma, mas se outra causa explicar melhor, então o diagnóstico muda. Esse cuidado ajuda a evitar que pessoas recebam rótulos errados e tratamentos desnecessários.


5. Notas de codificação

As notas de codificação da CID-11 servem como um manual de instruções para profissionais de saúde. No caso do TDAH (código 6a05), a classificação deixa claro que o transtorno está dentro do capítulo de Transtornos do Neurodesenvolvimento.

Isso significa que não é visto como uma “falha de comportamento”, mas como uma condição que tem origem no desenvolvimento do cérebro.

Além disso, a CID-11 permite o uso de códigos de extensão, que ajudam a especificar a gravidade, o curso e até o contexto em que o transtorno aparece.

Essa organização é necessária porque os sistemas de saúde do mundo inteiro usam a CID para registrar diagnósticos. Imagine o caos se cada país chamasse o TDAH de um nome diferente!

Você sabia:

  • O código 6a05 é universal, ou seja, vale em qualquer lugar do mundo.
  • A CID-11 é a primeira versão totalmente digital, facilitando a busca e o uso.
  • Códigos de extensão indicam, por exemplo, se os sintomas são leves, moderados ou graves.
  • Esses códigos também ajudam a diferenciar apresentações específicas do TDAH.

A lógica por trás dessas notas é de padronização e praticidade. Quando se tem um sistema global, qualquer profissional de saúde entende o que está sendo diagnosticado, mesmo em países diferentes.


6. Definição clínica detalhada

A definição clínica do TDAH na CID-11 vai além da explicação simples. Ela destaca que o transtorno envolve dificuldades persistentes de atenção, hiperatividade e impulsividade, com início precoce, e que causam prejuízos claros na vida acadêmica, profissional ou social.

Em resumo: não é um comportamento pontual, mas um padrão de vida.

Esse detalhamento ajuda a separar o transtorno de situações do dia a dia. Por exemplo, uma criança se distrai porque está entediada, mas isso não significa TDAH.

A CID-11 exige que os sinais sejam duradouros, consistentes e suficientemente graves para atrapalhar a rotina. Assim, a definição clínica funciona como uma lupa: ela amplia a visão sobre o que é realmente relevante para o diagnóstico.

Tabela da definição clínica:

ElementoExplicação
Início precoceAntes dos 12 anos
PersistênciaDuração mínima de 6 meses
Sintomas principaisDesatenção, hiperatividade, impulsividade
ImpactoPrejuízo acadêmico, social ou ocupacional

Ao exigir que o problema seja persistente e afete a vida em várias áreas, a CID-11 garante que o diagnóstico não seja feito de forma apressada.


7. TDAH ao longo da vida

O TDAH não desaparece magicamente na adolescência, como muita gente pensa. Ele acompanha a pessoa até a vida adulta, embora os sintomas mudem de forma.

Enquanto crianças costumam apresentar mais agitação física, os adultos sentem uma inquietação interna, dificuldade de organização e problemas de foco no trabalho.

Essa evolução é importante porque mostra que o TDAH não é apenas um problema de criança.

Muitos adultos recebem o diagnóstico só depois de anos, quando percebem que seus desafios de atenção e organização têm uma explicação.

Você sabia:

  • Em adultos, o TDAH afeta principalmente organização, planejamento e memória de trabalho.
  • Cerca de 60% das crianças com TDAH continuam apresentando sintomas na vida adulta.
  • O diagnóstico em mulheres muitas vezes acontece mais tarde, pois seus sintomas são menos “barulhentos”.
  • Tratamentos incluem terapia, medicamentos e mudanças no estilo de vida.

O cérebro não muda de repente ao chegar na adolescência. Se o TDAH faz parte do desenvolvimento neurológico, ele segue influenciando a pessoa em diferentes fases.


8. Diferenças entre TDAH e outros transtornos

O TDAH é confundido facilmente com outros transtornos, porque muitos deles também afetam a atenção, a memória e o comportamento.

Mas a CID-11 é bem clara: antes de bater o martelo e dizer “é TDAH“, é preciso descartar outras condições que explicam melhor os sintomas.

Por exemplo: ansiedade, depressão e até problemas de sono deixam a pessoa distraída ou irritada, mas isso não é TDAH.

Essa diferença é importante porque evita diagnósticos errados. Imagine um aluno que está muito ansioso por causa de bullying na escola: ele não consegue se concentrar nas aulas.

Se o profissional não investigar a fundo, achará que é TDAH. Mas, na verdade, o problema é outro e precisa de outro tratamento. A mesma lógica vale para depressão: quando alguém está deprimido, a energia cai e a concentração despenca, mas isso não significa TDAH.

Tabela de diferenças

TranstornoSemelhança com TDAHDiferença principal
AnsiedadeDificuldade de focoCausa é preocupação constante
DepressãoDesatençãoVem junto de tristeza e falta de energia
InsôniaFadiga e distraçãoLigada a sono ruim
AutismoImpulsividadeTambém afeta comunicação e interação social

Se existe uma explicação melhor para os sintomas, não faz sentido chamar de TDAH. É como investigar um mistério: se você encontra a verdadeira causa, não precisa culpar o suspeito errado.


9. Gravidade do TDAH

O TDAH não é igual para todo mundo: ele é ser leve, moderado ou grave:

  • Na forma leve, a pessoa consegue se virar no dia a dia, mesmo que com alguns tropeços;
  • No moderado, os sintomas começam a atrapalhar mais a escola, o trabalho ou as relações sociais;
  • Já no grave, a vida fica muito difícil: nada parece funcionar sem apoio e tratamento adequados.

Ao medir a intensidade, os profissionais conseguem adaptar as estratégias: seja terapia, medicação ou mudanças na rotina.

Você sabia:

  • A gravidade muda ao longo da vida.
  • Crianças muito agitadas se tornam adultos apenas desatentos.
  • Em fases de estresse, os sintomas parecem mais graves.
  • O tratamento adequado ajuda a reduzir a intensidade.

A lógica dessa classificação é parecida com medir febre: um grau a mais ou a menos muda muito o que o médico vai fazer. No caso do TDAH, entender se é leve, moderado ou grave ajuda a escolher a dose certa de intervenção.


10. Contextos do TDAH

O TDAH nunca aparece sozinho no vácuo. Ele sempre se mostra em contextos específicos, como na escola, no trabalho, na família ou nas relações sociais.

A CID-11 pede que o diagnóstico só seja feito se os sintomas estiverem presentes em pelo menos dois desses lugares.

Isso evita que alguém seja classificado como tendo TDAH só porque tem dificuldades em um único ambiente.

Esse cuidado faz sentido porque todos nós temos pontos fortes e fracos. Uma criança pode ser bagunceira em casa, mas se comportar muito bem na escola.

Ou o contrário: ser tranquila em família, mas se perder completamente nas tarefas escolares.

Tabela de contextos típicos do TDAH:

ContextoImpacto comum
EscolaDificuldade em manter atenção nas aulas
TrabalhoProblemas de organização e prazos
FamíliaConflitos por impulsividade
SocialDificuldade em manter amizades

Se o problema só aparece em um lugar, provavelmente é questão de ajuste ou ambiente. Mas se está presente em vários contextos, é sinal de que estamos diante de um transtorno consistente.


11. TDAH como transtorno do neurodesenvolvimento

O TDAH está oficialmente classificado na CID-11 dentro dos Transtornos do Neurodesenvolvimento. Isso significa que ele é entendido como uma alteração no desenvolvimento do cérebro, e não como falta de educação, preguiça ou manha de criança.

Em outras palavras, o TDAH nasce junto com a pessoa e acompanha seu crescimento, influenciando como ela aprende, pensa e se comporta.

A criança que não consegue parar quieta não é malcriada, e o adulto que esquece compromissos não é irresponsável: ambos estão lidando com um cérebro que funciona de maneira diferente. Essa justificativa dá base científica e social para pedir apoio em vez de críticas.

Você sabia:

  • Os transtornos do neurodesenvolvimento incluem TDAH, autismo, transtorno específico da aprendizagem, entre outros.
  • O TDAH é um dos transtornos mais comuns desse grupo.
  • Pesquisas de neuroimagem mostram diferenças na atividade de regiões ligadas à atenção e ao controle dos impulsos.
  • A hereditariedade é um dos principais fatores de risco.

A lógica da CID-11 é agrupar condições que compartilham uma origem ligada ao desenvolvimento neurológico. Assim, médicos e psicólogos usam estratégias comuns de avaliação e intervenção.


12. Causas e fatores de risco

O TDAH não tem uma causa única, mas sim uma mistura de fatores biológicos, genéticos e ambientais.

A genética tem um peso enorme: se um dos pais tem TDAH, a chance de o filho também ter é bem maior. Mas não é só isso: complicações na gravidez, parto prematuro, exposição a substâncias nocivas (como álcool e tabaco durante a gestação) e até o ambiente familiar influenciam.

Essa explicação é importante porque derruba o mito de que o TDAH vem de falta de limites ou pais relaxados.

Não, ninguém desenvolve TDAH porque a mãe deixou a criança ver televisão demais.

O transtorno tem raízes profundas na biologia, embora fatores externos possam piorar ou melhorar a forma como ele se manifesta.

Tabela de fatores de risco:

CategoriaExemplos
GenéticaHistórico familiar de TDAH
BiológicaAlterações na atividade cerebral
Pré-natalExposição a álcool ou tabaco
AmbientalEstresse familiar, dificuldades escolares

A lógica aqui é de múltiplas influências: assim como uma planta precisa de várias condições para florescer, o TDAH surge quando fatores diferentes se combinam.


13. Diagnóstico do TDAH

O diagnóstico do TDAH, segundo a CID-11, é clínico: não existe exame de sangue ou tomografia que diga “pronto, você tem TDAH“.

O que existe é uma avaliação cuidadosa feita por médicos ou psicólogos, que observam o histórico do paciente, aplicam entrevistas, questionários e escutam relatos de diferentes contextos (família, escola, trabalho).

Isso é necessário porque os sintomas se misturam com outros problemas. Então, o diagnóstico precisa ser minucioso, considerando quando os sinais começaram, quanto tempo duram e como afetam a vida da pessoa.

Na prática, o profissional segue os critérios da CID-11: sintomas persistentes de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade, com início precoce, impacto em vários contextos e ausência de outra explicação melhor.

Você sabia:

  • Muitos diagnósticos em adultos acontecem só depois que os filhos recebem o diagnóstico.
  • Professores costumam ser os primeiros a levantar a hipótese em crianças.
  • Questionários padronizados, como o SNAP-IV, ajudam na avaliação.
  • O processo envolve entrevistas com pais, cuidadores e até colegas de trabalho.

A lógica do diagnóstico é como montar um quebra-cabeça: cada peça (história pessoal, relato familiar, desempenho escolar ou profissional) ajuda a formar a imagem completa.


14. Tratamento do TDAH

O tratamento do TDAH é um verdadeiro time jogando junto: envolve medicação, terapia, orientação para a família e adaptações no ambiente escolar ou profissional.

A CID-11 não prescreve o como tratar, mas deixa claro que o transtorno merece acompanhamento contínuo e estruturado.

Ou seja, não adianta achar que basta uma pílula mágica ou, ao contrário, que só com esforço e disciplina tudo se resolve.

Essa combinação de estratégias existe porque o TDAH não é apenas uma questão de foco, mas afeta várias áreas da vida. A medicação ajuda a regular os circuitos cerebrais ligados à atenção e ao controle dos impulsos, mas sozinha não ensina organização, planejamento ou autocontrole emocional.

É aí que entram a terapia, as técnicas de treino de habilidades e o suporte familiar. Quando tudo isso se soma, o tratamento funciona muito melhor.

Você sabia:

  • O metilfenidato e as anfetaminas são os medicamentos mais usados.
  • A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a mais recomendada para adultos.
  • Crianças se beneficiam de rotinas estruturadas e apoio dos professores.
  • Atividade física regular também ajuda a melhorar a atenção e reduzir a agitação.

A lógica aqui é de complementaridade: cada peça do tratamento cobre uma parte da dificuldade. Medicamento melhora o foco, terapia ensina estratégias, família e escola ajustam o ambiente.

Juntas, essas ações transformam a vida da pessoa com TDAH. Mas para o plano funcionar bem, o diagnóstico deve ser feito de forma cuidadosa e personalizada.


15. Acompanhamento clínico

Ter o diagnóstico e começar o tratamento é só o primeiro passo. O acompanhamento clínico serve para ajustar doses de medicação, revisar estratégias psicológicas e monitorar como o paciente está evoluindo.

No caso do TDAH, não existe um “fim do tratamento”, mas um processo de longo prazo, que dura anos ou até a vida inteira.

Esse acompanhamento é crucial porque os sintomas mudam conforme a idade e as demandas da vida.

Sem revisões periódicas, há risco de abandono do tratamento ou de que o plano se torne ineficaz. É como dirigir sem olhar no retrovisor: você até segue em frente, mas corre mais risco de acidente.

Pontos-chave do acompanhamento clínico:

Fase da vidaFoco principal do acompanhamento
InfânciaRotina escolar e comportamento em sala
AdolescênciaOrganização dos estudos e autoestima
Vida adultaTrabalho, relacionamentos, finanças
Terceira idadeManutenção da memória e da atenção

Cada fase da vida traz novos desafios, e o acompanhamento clínico serve para recalibrar o tratamento. É como afinar um instrumento: se você não ajusta as cordas, a música sai desafinada.


16. Impactos do TDAH no cotidiano

O TDAH bagunça vários aspectos da vida: estudos, trabalho, relacionamentos e até o lazer.

Quem tem o transtorno muitas vezes sente que está sempre correndo atrás do prejuízo, seja porque esquece compromissos, perde prazos ou se irrita facilmente em situações sociais.

Esses impactos não vêm de preguiça ou má vontade, mas da forma como o cérebro gerencia atenção e impulsos.

Isso explica porque tantas pessoas com TDAH relatam frustração. “Eu sei o que tenho que fazer, mas não consigo começar” é uma frase comum. Essa distância entre intenção e ação gera sofrimento e baixa autoestima.

A boa notícia é que, com tratamento e estratégias certas, esses impactos são reduzidos.

Pessoas com TDAH tem carreiras de sucesso, relacionamentos saudáveis e uma vida plena: só precisam de ajustes específicos no caminho.

Você sabia:

  • Muitos empreendedores de sucesso têm TDAH e usam a criatividade como vantagem.
  • Ferramentas simples, como agendas digitais e alarmes, ajudam no dia a dia.
  • O TDAH não diminui a inteligência, apenas mexe com a forma de usar o foco.
  • Ter apoio da família e dos colegas faz toda a diferença.

A lógica aqui é reconhecer que o TDAH não define a pessoa inteira. Ele traz desafios, sim, mas também vem acompanhado de talentos, como criatividade e energia.


Perguntas frequentes

  1. O que significa receber o diagnóstico de CID 6a05?
    Significa que você foi identificado com TDAH, um transtorno do neurodesenvolvimento que envolve dificuldades persistentes de atenção, hiperatividade e impulsividade.
  2. A CID 6a05 é um código médico ou um nome de doença?
    É um código oficial da CID-11, usado mundialmente para classificar o TDAH de forma padronizada.
  3. Receber esse diagnóstico quer dizer que a pessoa tem “defeito” no cérebro?
    Não! Quer dizer apenas que o cérebro funciona de forma diferente, especialmente nas áreas ligadas à atenção e ao controle de impulsos.
  4. O diagnóstico é definitivo?
    O TDAH costuma acompanhar a vida toda, mas os sintomas mudam ao longo das fases da vida.
  5. Toda criança agitada recebe o código CID 6a05?
    Não. Só recebe o diagnóstico quem apresenta sintomas persistentes em mais de um ambiente (casa, escola, trabalho).
  6. Isso quer dizer que o TDAH está oficialmente reconhecido?
    Sim, e já faz tempo. A CID-11 atualizou a forma de classificar, mas o transtorno é reconhecido mundialmente.
  7. O diagnóstico de CID 6a05 significa que preciso de remédio?
    Não necessariamente. O tratamento pode envolver psicoterapia, mudanças de rotina e, em alguns casos, medicamentos.
  8. Esse diagnóstico pode mudar minha vida escolar ou profissional?
    Pode sim, mas para melhor: com o diagnóstico certo, você pode ter adaptações que ajudam no estudo e no trabalho.
  9. Receber o CID 6a05 significa que eu sou menos inteligente?
    De jeito nenhum! O TDAH não tem relação com inteligência, apenas com a forma como o foco e o controle funcionam.
  10. Esse código ajuda em relatórios médicos ou escolares?
    Sim. Ele serve para padronizar registros médicos e justificar apoios pedagógicos, se necessário.
  11. O que muda quando um adulto recebe esse diagnóstico?
    Muda a compreensão de muitos desafios de vida. A pessoa entende melhor sua história e pode buscar tratamento adequado.
  12. Esse diagnóstico pode gerar preconceito?
    Infelizmente, sim. Mas quanto mais informação circula, menor o estigma. O código CID-11 ajuda a legitimar o transtorno.
  13. Ter CID 6a05 significa que sou obrigado a contar para todo mundo?
    Não. O diagnóstico é informação pessoal, e você decide com quem compartilhar.
  14. Esse diagnóstico tem cura?
    Não se fala em cura, mas em manejo. Com tratamento, o TDAH pode ser controlado, permitindo uma vida plena.
  15. O que devo fazer depois de receber o CID 6a05?
    Seguir as orientações médicas, buscar psicoterapia, adaptar rotinas e contar com apoio da família e da escola ou trabalho.

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